O que é Couchsurfing e como foi nossa primeira experiência

Por Silas Payão

“Couchsurfing é o ato de se hospedar em casas familiares durante sua viagem com o intuito de economizar e mergulhar mais profundamente na cultura local.”

Ao menos era pra ser assim.

Este texto pode ser um tanto quanto polêmico e desanimador, mas nós buscamos sempre trazer a realidade para vocês, e infelizmente nem tudo são flores, né?

Antes de tudo quero deixar claro que a nossa experiência foi ótima e definitivamente vamos voltar a fazer couchsurfing em nossas viagens, porém, você deve levar várias coisas em consideração e explicaremos tudo aqui!

O que é couchsurfing?

Couchsurfing é o nome dado ao ato que escrevi ali em cima, mas existe também um site, que une hóspedes com anfitriões.

O site couchsurfing.com foi criado em 2004 e hoje conta com mais de 14 milhões de usuários de mais de 200.000 cidades diferentes.

“Nós imaginamos um mundo melhor pela viagem e as viagens se tornam mais ricas pela conexão. Os couchsurfers compartilham suas vidas com as pessoas que encontram, promovendo o intercâmbio cultural e o respeito mútuo.”

Essa é a frase que estampa a página “about us” do site couchsurfing.

Como funciona o Couchsurfing

No site você entra em contato com o anfitrião da cidade que quer conhecer e faz uma espécie de aplicação.
Basicamente envia uma solicitação com as datas que vai viajar, fala um pouco sobre você e aguarda a resposta.

Se ele aceitar, BINGO! Você pode programar a sua viagem e desfrutar de tudo.
Se não aceitar, segue para o próximo host e tenta novamente, até conseguir. (ou não)

Pra fazer tudo isso, você deve criar um perfil e preencher o mais completamente possível, afinal, você vai hospedar ou receber um estranho em sua casa e quanto mais souber sobre ele, melhor!

Na plataforma você consegue ter “reviews”, parecidos com os depoimentos da época do orkut, no seu perfil.
Quando você viaja, tanto o anfitrião quanto o hóspede deixam uma mensagem, um no perfil do outro, e a cada mensagem recebida, mais seu perfil fica “confiável”.

Além disso você pode fazer a verificação, que nada mais é que pagar uma taxa para o site colocar um selo verde no seu perfil e confirmar que seus dados são reais.

Se você quiser ver nossos perfis para ter uma noção, segue abaixo:

Perfil Ju

Perfil Ju

Perfil Silas

Perfil Silas

Talvez num futuro próximo eu faça um tutorial de como preencher seu perfil no couchsurfing.
Por enquanto vamos nos atentar ao objetivo deste texto, explicar o que é e como foi nossa experiência.

Agora você já sabe o que é couchsurfing e como funciona.

Vamos falar sobre os perigos da plataforma.
Sim, infelizmente eles existem.

Couchsurfing é seguro?

É com tristeza e sinceridade que dizemos que não.
Infelizmente deturparam a essência do couchsurfing e hoje o utilizam das mais variadas formas, se esquecendo da principal que é o que tem na frase da bio, que escrevi aí em cima.

O respeito mútuo não é mais um dos principais fatores que geram o couchsurfing.

Mas calma, nem tudo está perdido e volto a dizer: Nós vamos sim voltar a fazer couchsurfing durante nossas viagens.

Hoje a plataforma, ao menos pela nossa visão, está “abandonada”.
Ela ainda funciona e provavelmente ainda seja uma empresa, mas não é mais dirigida com a mesma paixão que quando foi criada.

Volto a dizer, isso é na minha visão (e da Ju) tá bom?

O layout do site é bem precário, como se fosse um site dos anos 2000.
O sistema de verificação não é dos melhores e tudo dentro da plataforma é facilmente manipulável.

Dúvida?

Eu posso adicionar 10 amigos e combinar com eles que todos ficaram na minha casa e semana que vem já tenho 10 reviews excelentes.

É, eu sei que isso não é culpa da plataforma e sim do ser humano, mas não deixa de ser um problema e deveria ser resolvido.

Eu não sei a porcentagem dos gêneros que utilizam a plataforma, mas pela nossa experiência acredito que seja mais ou menos 70% homens e 30% mulheres.

Passeando com nossa host. (nem tudo está perdido)

Passeando com nossa host. (nem tudo está perdido)

Infelizmente a plataforma tem sido utilizada como uma espécie de Tinder.

Existem VÁRIOS perfis de homens com 30 ou 40 reviews, todos de mulheres.

Porque homens, em sua maioria solteiros e morando sozinhos, só aceitariam mulheres?

Eu não estou julgando e não quero ofender ninguém, mas na nossa concepção ele não tem intenções de agregar cultura ao hóspede.

Eu poderia colocar um print para vocês verem, mas você mesmo pode comprovar.
Busque por alguma cidade no aplicativo ou no site, e entra nos perfis pra dar uma olhada nos reviews.

Isso porque não falei dos relatos que tem na internet de anfitriões que andam pelado pela casa, que te pedem para fazer coisas estranhas, etc.

Isso eu não posso comprovar pois nunca presenciei, só li relatos, busque e avalie.

Infelizmente tudo que eu escrevi acima é mais perigoso para mulheres, mas não deixa ser ser perigoso também para homens.

“Ah, então eu nunca vou fazer couchsurfing, só tem estuprador nessa $*#@!$%!”

Calma, ainda existe esperança!

Como foi nossa experiência com o couchsurfing

Nem tudo está perdido, e assim como no mundo todo, ainda existem pessoas boas, você só tem que saber procurá-las.

Nós tentamos muito, fomos negados, tentamos mais, fomos negados, e tentamos de novo, até que um dia fomos aceitos por uma moça que mora em Copiapó, lá no Chile.

Sabe aquele acidente dos 33 mineiros que ficaram um monte de dias presos dentro da mina? Então, foi lá. Vamos falar sobre isso num artigo próximo.

Então, a Sheddy, nome da nossa host, nos aceitou em menos de 1 hora depois que havíamos enviado a aplicação.

Ficamos muito felizes porque como falei acima, depois de tudo o que vimos e ouvimos falar sobre o couchsurfing, nós éramos bem rigorosos na escolha de um host e sempre pesquisávamos tudo antes de fazer a aplicação.
Ela parecia confiável o bastante e fizemos a aplicação. Nós literalmente ganhamos na loteria.

Conversamos um pouco antes de definitivamente irmos pra casa dela e no dia fomos muito bem recebidos, muito mesmo, ouso dizer que nos receberam melhor do que nossos familiares nos recebem.

Bahia Inglesa com nossa anfitriã do couchsurfing

Bahia Inglesa com nossa anfitriã do couchsurfing

Como nós fizemos o Chile de carona, chegamos lá um pouco tarde e o marido da Sheddy foi buscar a gente onde a nossa carona tinha nos deixado.

Ótimo, já foi uma excelente experiência, apesar de termos nos sentido um tanto quanto folgados por isso.

Logo passou e entendemos o real espírito do couchsurfing.

Chegando na casa deles, a Sheddy ainda não tinha chegado do trabalho, e conhecemos um casal com seu pequeno padawan que também estavam fazendo couchsurfing na casa dos nossos anfitriões.

Neste mesmo dia eles nos levaram pra um churrasco na casa de uma amiga delas.
No outro dia nos levou pra um tour em toda a região (nós ficamos mais de 12 horas conhecendo os lugares na cidade e seus arredores).

No final, nossa estadia na casa deles era de 3 dias e acabamos ficando 5, de tão excelente e benéfico que foi pra gente.

Nem a comida eles nos deixavam comprar.

Um dia nós compramos algumas coisas pra fazer um jantar brasileiro, mas não foi nada perto do que fizeram por nós e nos sentimos em débito até hoje com eles.

Sério, foi uma experiência indescritível e restaurou nossa fé na humanidade e no couchsufing.

Vocês acham que seria válido nós fazermos um artigo ou ebook com dicas para encontrar hosts assim, diminuindo as chances de arruinar suas viagens quando fizer couchsurfing?

Deixa nos comentários, se vocês quiserem a gente pode pensar em algo!

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