Viagem em casal: O que você precisa saber sobre viajar a 2.

Por Silas Payão

Antes de começar você deve saber que sim, viagem em casal é mais difícil do que viajar sozinho.

Porém, não é impossível e definitivamente vale a pena. (caso a sua relação seja saudável!)

O segundo ponto que você deve saber é que neste texto abordaremos a viagem no estilo mochilão e não férias, afinal, viagem em casal de férias não tem qualquer dificuldade.

Sem mais delongas, vamos as dicas.

 

Voluntariado: Como conseguir para os dois na viagem em casal

O primeiro ponto a se destacar é o voluntariado.

A viagem em casal exige o dobro do orçamento, afinal, estão em dois, portanto, toda a forma de economia deve ser priorizada e o voluntariado é o principal delas.

Nem sempre é possível conseguir voluntariado no mesmo lugar que seu companheiro(a), mas temos alguns truques que nos serviram muito bem e que também podem te ajudar.

É óbvio que vai precisar de um esforço por parte de vocês, como todo o resto, mas não é nada demais.

 

Trabalhar e folgar em turnos diferentes

O primeiro de tudo é deixar claro no local em que for fazer o voluntariado que, se for necessário, vocês podem trabalhar em turnos separados e até mesmo folgar em dias diferentes.

Calma, lá embaixo eu vou te mostrar que isso não é tão ruim assim e como isso pode ser facilmente manipulado.

Um dos hostels em que trabalhamos, no Chile.

Um dos hostels em que trabalhamos, no Chile.

 

Explicitar boa relação com seu companheiro(a)

O segundo é explicitar que vocês possuem uma boa relação e que as suas brigas e discussões não vão impactar o ambiente, e que são adultos o suficiente para fazer isso discretamente, caso seja necessário.

A maior dificuldade que encontramos no início foi essa.
Eles nos recusavam porque é costumeiro que casais façam isso e acabem prejudicando o local.

Não podemos julgá-los por nos pré-julgar. Me colocando no lugar deles, eu faria o mesmo.

Não seja babaca de querer discutir e/ou brigar com seu companheiro(a) na frente dos hóspedes ou da staff do local. Isso é desagradável até em ambiente público, imagina no local onde você está fazendo voluntariado, sem falar que pode estragar sua viagem.

Se você vai viajar em casal, e além disso, voluntariar em casal, deve ter em mente de que a maioria dos locais por onde vão passar terão pessoas da mesma idade, em ambiente de festas, alguns bêbados, drogados, ou somente folgados mesmo, que poderão causar problemas.
Você deve ser forte o suficiente para administrar o seu ciúmes, que é o maior dos causadores de brigas entre casais.

Isso não é difícil. Novamente, é só você não ser babaca, tanto para não dar motivo quanto para não procurar motivo.

 

Deixar claro sua disponibilidade para QUALQUER trabalho

Se você está lendo este texto até aqui, suponho que queira fazer um mochilão e que queira economizar para poder prolongar a sua viagem, logo, não é rico.

E se não é rico, já deve ter ajudado a sua mãe com a limpeza de casa, certo?

Então, os trabalhos em hostel são basicamente fazer as mesmas coisas que você fazia quando ajudava sua mãe em casa, mas tem muito viajante que acha que fazer voluntariado é só sentar na recepção e dar “hello” pra quem chega.

Não é, e você precisa deixar isso explícito também, afinal, cada ponto que puder tirar vantagem, é melhor para você e aumenta as chances de aceitarem vocês dois.

Deixe claro que ambos podem fazer qualquer trabalho, seja trabalhar na recepção ou lavar banheiro, limpar a cozinha ou arrumar as camas.

Não seja besta para pensar que homem não pode lavar banheiro ou que uma mulher não pode trocar uma lâmpada.

Geralmente quando você já deixa claro esses pontos na sua aplicação, seja via plataforma, Facebook ou boca a boca, dificilmente será negado, portanto, ambos conseguirão trabalhar no local, desde que cumpram com as palavras que foram ditas.

Depois que você entra, tudo fica mais maleável.

Os gerentes ou donos do local gostam de pessoas que explicitam isso logo de cara, mesmo sabendo que as vezes nem tudo é necessário. Por exemplo, eu nunca fiquei sem ter pelo menos uma folga por semana junto com a Ju, e quando tivemos somente uma, foi por nossa própria escolha pois poderíamos facilmente trocar de turno com outros voluntários e folgar todas as folgas juntos.

Na maioria dos voluntariados você trabalha no máximo 06 horas por dia, e o restante é livre.

Algumas vezes nós nem precisávamos de folga, foi por isso que disse lá em cima que isso é fácil de burlar.

 

Frio da P@!#$ na BolíviaFrio da P@!#$ na Bolívia

Frio da P@!#$ na Bolívia

Seu relacionamento precisa ser saudável

Como eu disse no começo desse texto, para viajar nessas condições, seu relacionamento precisa ser saudável.

Você não pode fazer uma viagem desse tipo com o intuito de recuperar seu relacionamento ou qualquer coisa do tipo.

Porque?
É simples: Você terá uma vida de casado vivendo na casa de parentes.

Vocês estarão 24 horas por dia juntos, sem a privacidade de morar sozinhos.
Você acha que alguém com o relacionamento revirado consegue fazer isso sem que os problemas superem o prazer de viajar?

Pois é.

Por isso recomendamos que isso seja MUITO discutido previamente, e que ambos tenham a certeza de que estão fazendo isso juntos e precisarão seguir juntos até o final.

Não tem essa de que se der merda cada um vai pra um lado. Isso não existe, então tenha certeza de que o seu parceiro(a) seja a pessoa que realmente você quer viajar.

Não faça a besteira de conhecer alguém e sair pra viajar com ela depois de duas semanas.
Para iniciar uma viagem assim você precisa conhecer a pessoa, o máximo possível.

Eu não quero “cagar regras” neste texto, e se você quiser fazer tudo o contrário do que eu disse, faça sem medo, só assuma as responsas.

E volte aqui pra comentar depois, eu quero saber suas cagadas e acertos! haha

 

Usufrua das coisas boas, e principalmente das coisas ruins

Quando eu e a Ju decidimos que iriamos viajar desta forma, deixamos claro para nós mesmos que deveríamos usufruir de tudo, inclusive das experiências ruins.

Acredite, você cresce mais na dor.

Usufruam, juntos, de tudo. Saibam que cada perrengue, desafio, tristeza, vão te tornarem mais forte e fazer com que as pedras do caminho sejam sempre menores.

E que consequentemente, cada felicidade terá um gosto ainda melhor.

Vento dos infernos.

Vento dos infernos.

Pra finalizar este texto, escrevi o que o Niko, um peruano que trabalhou conosco em Valparaíso no Chile, me disse na nossa despedida para o próximo destino:

“Cuida da Ju. Viajar sozinho é muito bom mas ter alguém pra compartilhar tudo com você, seguir seus passos e aproveitar junto é muito difícil.”

Gracias Niko! Yo seguí sus consejos.

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